segunda-feira, 19 de setembro de 2016

PRIMEIRO PLANTIO COMUNITÁRIO CIRANDA VERDE COMPLETA UM ANO

Logotipo do projeto com as "mãos dispersoras da vida verde"
Há exatamente um ano, acontecia na Agrópolis do Incra, no Setor Cidade Nova, o primeiro Plantio Comunitário organizado pelo projeto Ciranda Verde e parceiros. 

O trabalho que contou com a colocação de 40 novas mudas de espécies como Ipê, Pau Preto, Pata de Vaca e Jenipapo, teve a participação de mais de 150 voluntários de grupos de escoteiros de Marabá, Guarda Florestal Indeva, Semma, Seagri, Semsur e Centro Renascer.

A proposta foi construída junto com os moradores que assumiram o compromisso de cuidar das plantas até que elas tivessem condições de manterem, o que de fato aconteceu. Segundo relatos de moradores, após um ano do plantio, das 40 mudas que foram plantadas apenas uma não vingou.

SALDO POSITIVO

O gesto com as mãos foi repetido centenas de vezes
Depois dessa ação, muitas outras foram realizadas pelo grupo em toda a cidade, totalizando mais de 100 novas árvores plantadas em escolas e áreas comuns por Marabá. 

O Projeto ainda mobilizou a população através de seu blog e inspirados nas iniciativas do PCV, muitos outros plantios forma realizados sob orientação de nossos engenheiros, também voluntários.

O QUE AINDA FALTA?

Antes do plantio do Incra, uma audiência pública com a presença de várias autoridades aconteceu na Câmara Municipal de Marabá visando a luta pela criação do Parque Ambiental da cidade, na época um Anteprojeto de Lei de autoria do vereador Ilker Morais (PHS), tratava ainda de um Plano Municipal de Arborização. 

A audiência ocorreu no dia 11 de setembro de 2015, muito tempo e demagogias após, nada saiu do papel. A população continua sendo vítima das doenças respiratórias resultantes das intensas queimadas que assolam a área destinada ao futuro parque. 

Até quando nossas autoridades permanecerão de costas para a urgente questão do meio ambiente? 

Texto/foto: André Vianello

Projeto Ciranda Verde    

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

É SETEMBRO, ESTÁ CHEGANDO O "DIA DA AMAZÔNIA"

Arara Canindé (foto: WWF Amazônia)

Comemorada no dia 5 de setembro, a Amazônia é um dos patrimônios naturais mais valiosos de toda a humanidade e a maior reserva natural do planeta. Com sete milhões de quilômetros quadrados, sendo cinco milhões e meio de florestas, o bioma é fundamental para o equilíbrio ambiental e climático do planeta e a conservação dos recursos hídricos.


“O Dia da Amazônia é um dia de celebração”, ressalta a secretária geral do WWF-Brasil, Maria Cecília Wey de Brito. “Nós temos conhecimento sobre os problemas e desafios do bioma, mas muito mais sobre as ferramentas que precisamos para vencê-los e quais os resultados que devemos atingir. Nosso trabalho tem se pautado na proposição de uma agenda positiva para o desenvolvimento sustentável do bioma”, avalia.



Apesar de sua incalculável importância ambiental para o planeta, – como o habitat de inúmeras espécies animais, vegetais e arbóreas, e como fonte de matérias-primas alimentares, florestais, medicinais e minerais -, a Amazônia tem sido constantemente ameaçada por inúmeras atividades predatórias, entre elas a extração de madeira, a mineração, as obras de infraestrutura e a conversão da floresta em áreas para pasto e agricultura.



Para o coordenador do Programa Amazônia da organização, Marco Lentini, é fundamental informar à sociedade sobre as principais ameaças à biodiversidade da Amazônia e sensibilizá-la para a necessidade do desenvolvimento de uma economia verde para a região. “É importante conectar a conservação das florestas com seu uso sustentável, utilizando cada área de acordo com a sua vocação. Também queremos engajar as pessoas para que exerçam seu papel de cobrar e propor soluções positivas e sustentáveis para o bioma”, afirma.

Em setembro, comemora-se ainda, um ano do primeiro plantio comunitário do Projeto Ciranda Verde realizado na Agrópolis do Incra. Nos próximos dias, mostraremos como estão as mudas que foram plantadas por toda a vila com a participação de moradores, grupos de escoteiros, Guarda Florestal Indeva, Sociedade Renascer, Semma, Seagri e Semsur. 

Texto Dia da Amazônia (reprodução do WWF Brasil)
Texto Plantio: André Vianello
Foto: WWF Brasil


sexta-feira, 22 de julho de 2016

JBS E MAGGI INVESTIGADOS POR GRILAGEM NA OPERAÇÃO: "RIOS VOADORES"


O esquema devastou uma área equivalente ao município do Rio de Janeiro
Há tempos o Projeto Ciranda Verde vem denunciando os crimes cometidos pela união de grandes empresas, políticos corruptos e os maiores desmatadores da Amazônia. Tais crimes ambientais estão comprometendo os Rios Voadores e, consequentemente, gerando a seca no Sudeste do país. 
A história é sempre a mesma: para aumentarem seu poderio econômico, as empresas investem milhões para eleger políticos comprometidos com atividades ilícitas que aceleram o processo de devastação ambiental. Todo esse esquema conta com a participação de grileiros e gigantes do agronegócio, entre eles a família de Blairo Maggi, conhecido como o "Rei da Soja" e atual ministro da Agricultura.
Algumas dessas empresas já estão na mira da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, que apuram seu envolvimento com a corrupção na Petrobras, pagamento de propina e caixa dois em diversas campanhas, caso da JBS, investigada na 22ª fase da Operação Lava Jato. 
NOVOS DESDOBRAMENTOS  E MAIS SUJEIRA
Terra indígena devastada criminosamente pelos grileiros
"O Ministério Público Federal (MPF) determinou, nesta quarta-feira, 20 de julho, o envio de ofícios ao grupo JBS, à Maggi Exportação e Importação, uma das maiores companhias de compra e venda de grãos do país, e aos dirigentes do grupo Bom Futuro – também lideranças do agronegócio – Elusmar Maggi Scheffer e Eraí Maggi Scheffer.
O MPF requer informações sobre transações comerciais entre as empresas e integrantes da família Junqueira Vilela, acusados de chefiar o maior esquema de desmatamento da Amazônia já detectado.
Os Junqueira Vilela foram pegos no último dia 30 de junho pela operação Rios Voadores. A operação desmontou organização criminosa que criou técnica especial para a conversão rápida de florestas em latifúndios, utilizando metodologia científica, mão de obra escrava e uma série de fraudes documentais.
O sistema movimentou R$ 1,9 bilhão entre 2012 e 2015 e destruiu 300 km quadrados de florestas em Altamira, no Pará, área equivalente ao território de municípios como Fortaleza (CE), Belo Horizonte (MG) ou Recife (PE). O prejuízo ambiental foi de R$ 420 milhões".
Texto: André Vianello com reprodução do site Zeca News
Foto: Diário do Nordeste/ Estadão
Projeto Ciranda Verde


terça-feira, 12 de julho de 2016

SÉRIE LOURENÇÃO: PEIXE SOME E PESCADORES DISPUTAM EM ALTAMIRA

Dona Luzia Cardoso conta que foi pressionada a sair do local.       Foto: RBA
Na matéria de hoje você acompanha o drama do reassentamento de moradores das áreas rural e urbana de Altamira, que tiveram que sair às pressas devido as obras ou por causa do enchimento do lago da hidrelétrica de Belo Monte. 

Já de cara,  problemas se deram na forma escolhida pela Norte Energia para indenizar os moradores atingidos.

O processo foi conduzido no melhor estilo "sai a cara do freguês", com valores extremamente assimétricos, já que foram negociados sem assessoria jurídica e diretamente com os atingidos, cujos chefes de família, eram em sua maioria analfabetos. 

Nesse contexto, não aceitar o valor oferecido pela Norte Energia, significava ter que litigar sem apoio de ninguém, contra uma empresa poderosa. Em muitos casos, a negociação foi feita a partir de carta de crédito, quando os próprios moradores teriam que sair em busca de lotes para posterior pagamento por parte da empresa. 

Os valores das indenizações desde o início foram insuficientes para a aquisição de novos imóveis pelos moradores, uma vez que com a chegada do canteiro de obras da usina, a especulação imobiliária inflacionou pesadamente o mercado. 

A mudança também trouxe outros prejuízos às populações atingidas, já que nos novos Reassentamentos Urbanos Coletivos (RUCs), não há serviços de transporte, saúde ou educação.

"BEIRADEIROS" E A ESCASSEZ DO PESCADO

Raimunda da Silva conta que saiu chorando do lugar onde vivia. Foto: RBA
Para os moradores da região da Volta Grande do Rio Xingu, outro local impactado pelas obras de Belo Monte, a situação é mais grave ainda. 

Muitos contam que foram pressionados pelos funcionários da Norte Energia a sair do local. Sem opções parte dos antigos moradores da zona rural do município de Altamira, se mudaram para as margens da cidade. 

Depois da mudança obrigatória, a sobrevivência de diversas famílias que dependiam essencialmente da pesca, ficou comprometida. Ha casos de ex- moradores do "Beiradão", que passaram a sofrer de depressão, como dona Raimunda da Silva, que saiu do local aos prantos.

O uso de explosivos nos tradicionais locais de pesca somado a potente iluminação vinda dos refletores das obras da usina afugentaram os peixes. Alguns recantos importantes para a pesca, simplesmente deixaram de existir, levando os pescadores a invadirem áreas de preservação ou disputarem, violentamente, os locais que restaram.

O Projeto Ciranda Verde mais uma vez alerta, que com base nas experiências adquiridas em outros tantos "grandes projetos", é possível afirmar que esse processo desastroso poderá se repetir em Marabá, que já sofre com o inchaço populacional e bolsões de pobreza resultantes da ondas migratórias que foram atraídas pelas promessas não cumpridas de Serra Pelada, Grande Carajás, Salobo, Alpa e outros engôdos políticos da região.

Texto: André Vianello
Fotos: Rede Brasil Atual
Dados: Dossiê Belo Monte/ Rede Brasil Atual
  
Projeto Ciranda Verde


segunda-feira, 11 de julho de 2016

SÉRIE LOURENÇÃO: BELO MONTE E O DESRESPEITO COM OS INDÍGENAS

Protestos contra o descumprimento de condicionantes se tornaram comuns
A série intitulada Lourenção, a vida é mais importante! tem o intuito de chamar a atenção da população de Marabá e do entorno, sobre os perigos que grandes empreendimentos como a Hidrovia Araguaia-Tocantins e a futura Hidrelétrica de Marabá representam para a vida humana, fauna e flora.

Muito diferente das promessas de geração de emprego e renda ou desenvolvimento econômico alardeadas pelas autoridades (sempre interessadas na sua própria fatia do bolo!), os grandes projetos têm, invariavelmente, trazido devastação ambiental, fome, desemprego, prostituição além de intermináveis batalhas judiciais em busca do cumprimento de condicionantes ambientais e sociais de compensação, que após a liberação são esquecidos pelo empreendedor. 

A QUESTÃO INDÍGENA EM BELO MONTE

Índios e MPF têm que protestar e litigar para o atendimento de obrigações
  elementares da Norte Energia 
A região da Volta Grande, no Rio Xingu é o berço de espécies animais e vegetais endêmicas. O local é também habitado por tradicionais povos indígenas, caso dos Juruna e Arara.

Mesmo considerando as dimensões gigantescas  dos danos deixados por Belo Monte, pouca coisa deu tão errado quanto o cumprimento das 31 condicionantes indígenas elaboradas pela Funai.

Denominado de Plano Básico Ambiental do Componente Indígena (PBA-CI), o projeto de mitigação dos problemas ambientais, ainda tem mais da metade das medidas pendentes. Ao todo foram investidos no plano, R$ 112 milhões, que foram gastos basicamente em bens materiais, como barcos, motores e 2,1 milhões de litros de gasolina.

Entre 2011 e 2013, a Norte Energia distribuiu R$ 30 mil mensais para cada aldeia. Esse procedimento, embora transitório, fez com que as tradicionais roças fossem abandonadas e estabeleceu uma relação clientelista com os índios, desencorajando a reivindicação de direitos. A falta de assessoria jurídica agravou ainda mais a situação, pois a entrada de refrigerantes e outros alimentos industrializados mudou hábitos alimentares e trouxe obesidade a crianças e adultos. Desde o início das obras de Belo Monte, um aumento de 200% no atendimento de indígenas nas Unidades de Saúde foi registrado.   

As poucas ações de reparação ambiental realizadas pela empresa foram conseguidas com protestos por parte dos indígenas e intervenção do Ministério Público Federal, já que estranhamente, a Defensoria Pública local foi desativada no pico das obras. 

A Norte Energia, a propósito, após a liberação do Ibama para inicio das obras, passou a questionar a obrigatoriedade destas condicionantes, como ocorreu com o Plano de Fiscalização e Vigilância Territorial, durante o processo de remanejamento dos Juruna. A inexistência de fiscalização potencializou a devastação e a venda ilegal de madeira dentro das terras indígenas.

Na próxima matéria você acompanha os graves problemas enfrentados pelos chamados "beiradeiros" do Rio Xingu, em função do projeto da Usina de Belo Monte.
   
Texto: André Vianello
Fotos: www.ver-o-fato.com.br/ www.antroplogiasocial.com.br
Dados: Dossiê Belo Monte
  
Projeto Ciranda Verde

domingo, 10 de julho de 2016

SÉRIE LOURENÇÃO: VIOLÊNCIA EXPLODE NA REGIÃO DE BELO MONTE

A explosão de violência tirou o sossego da população. Protestos são comuns
A 4ª matéria da Série: Lourenção, a vida é mais importante! mostra que com a atração de um grande fluxo migratório para as cidades afetadas pelas obras da Usina de Belo Monte, a demanda por segurança pública sofreu um crescimento muito além do que o efetivo poderia suportar. O resultado foi uma tremenda explosão de violência. 

A Norte Energia, empresa responsável pela obra e operação de Belo Monte, investiu R$ 115 milhões na área, contudo, os homicídios saltaram de 48 em 2012 para 86 em 2014, o que representa um aumento de 80%. Tudo isso seria resultado da chagada de 50 mil pessoas à cidade, por conta do início das obras da usina. 


EXPLORAÇÃO SEXUAL E TRÁFICO HUMANO

Mulheres resgatadas de traficantes que abastecem a prostituição. 
Em junho de 2014, o G1 revelou os primeiros resultados de uma pesquisa encomendada pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República à Universidade Federal do Pará (UFPA). 

Segundo o pesquisador Assis da Costa Oliveira,  a construção de Belo Monte gerou um mercado do sexo em Altamira, onde os trabalhadores chegaram a pagar prostitutas com vale-refeição. O esquema contava com a conivência de alguns empregados da Norte Energia, que disse à época ter tomado providências.

A prostituição, segundo a pesquisa, cresceu graças a outro crime, o tráfico humano para Altamira. Os traficantes tinham o propósito específico de atender os trabalhadores da obra de Belo Monte. De acordo ainda com o G1, "os aliciadores exploram mulheres, adolescentes, travestis e índios, que  aceitam vale-alimentação como forma de pagamento pelos serviços sexuais.

VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS E ADOLESCENTES

O Conselho Tutelar de Altamira registrou, só no ano de 2014, 2030 casos de crianças e adolescente em situação de risco. Além das agressões e violência sexual contra esse público, o abandono e maus-tratos aumentaram sensivelmente, sem que a estrutura do enfrentamento pudesse fazer frente à verdadeira calamidade que se instalou na cidade, como garante Edizângela Barros, coordenadora do Conselho Tutelar, que em 2015 foi a Brasília pedir ajuda aos congressistas brasileiros.

DESEMPREGO DEVE PRESSIONAR  A VIOLÊNCIA AINDA MAIS

No primeiro semestre de 2016, calcula-se, que com a conclusão das obras, cerca de 10 mil trabalhadores foram dispensados pela Norte Energia, procedimento considerado comum nos grandes projetos, pois com a conclusão da primeira fase, profissionais braçais se tornam desnecessários. Os poucos postos de trabalho que restaram estão ligados a atividades de alta especialização, como engenharia e outras que exigem formação superior. 

Os desempregados, sem opção, passaram a viver de subemprego provocando um forte processo de favelização da cidade.  Bolsões de miséria também se formaram em Altamira e região, criando áreas de risco e alta vulnerabilidade humana.

A questão do aumento vertiginoso nos números da violência, além de pressionar o poder público, que por falta de recursos e efetivo policial ficou refém da desordem, mobilizou até o Conselho de Defesa da Pessoa Humana. Um levantamento feito por este órgão, constatou que não foram realizadas audiências públicas para ouvir a população. 

O registro feito pelo O Globo retrata bem a realidade do projeto, que desde seu início em 2010, permaneceu de costas para os problemas ambientais e sociais resultantes de Belo Monte. 


Na próxima matéria da série, acompanhe os problemas enfrentados pelos povos indígenas.

Texto: André Vianello
Fotos: Dossiê Belo Monte (ISA)/ G1.
Dados: Dossiê Belo Monte (ISA).